E aí, geeks!

Hoje trago pra vocês um texto muito bem escrito falando sobre o realismo nos jogos de hoje, gráficos tirando o lugar do enredo nos jogos e tudo. Muito interessante esse ponto de vista (que acredito que seja o de muitos também).

A matéria foi escrita por Aline “Myuu” Godoy para o site 3T Tales to Tell.

Aviso: cuidado, esse texto contém um conteúdo altamente grognard que pode ofender os ouvidos (ou olhos) alheios mais sensíveis.

Belos cabelos, lindos gráficos… Mas, e o enredo?

Belos cabelos, lindos gráficos… Mas, e o enredo?

Uns dias atrás eu joguei o novo Tomb Raider. O jogo é fantástico, e eu senti a mesma coisa quando eu joguei meu primeiro Tomb Raider (o dois): eu era linda, maravilhosa, corajosa e aventureira, combatia os caras maus e não precisava de nenhuma ajuda no dungeon crawling exceto minha astúcia e inteligência. O tipo de sensação que mexeu muito comigo quando eu tinha 11 anos.
E então eu cresci. E a Lara também.
Mais velha e com gostos melhor definidos, achei incrível que srta. Pratchett tivesse escrito o roteiro do jogo. Eu tinha lido boa parte da série Discworld do pai dela, Terry Pratchett, e fiquei bem animada com o prognóstico de uma Lara mais madura, real e mulher (e não apenas o objeto poligonal sexy como ela era prontamente tratada pelos mocinhos de mãos calejadas).
Achei curioso o comentário sobre ter-se desenvolvido uma engine apenas para dar mais naturalidade ao cabelo dela, e no geral gostei muito do jogo e da progressão de habilidades, mas aí, subitamente, o jogo acabou. Sim, senhoras e senhores leitores… em uma sentada no sofá fds adentro, o jogo acabou. Vi os créditos finais com cara de tacho, para descobrir todo conteúdo extra que eu acharia em dezenas de outros gameplays. O mesmo tinha acontecido meses antes com o Alice Madness Returns; itens, monstros e mesmo locais que eu só veria se jogasse de novo. E de novo. E de novo.

Por mais bonito que seja o jogo, alguma hora cansa passar pelos mesmos lugares, fazer as mesmas coisas…

Por mais bonito que seja o jogo, alguma hora cansa passar pelos mesmos lugares, fazer as mesmas coisas…

E assim começo meu ponto: eles se deram o trabalho de desenvolver um catzo de uma engine pro cabelo, mas não tiveram coragem de prolongar o roteiro? Eles capricham nos gráficos de Force Unleashed 2, mas não sabem mais te divertir sem pedir que você jogue o mesmo jogo e repita os mesmos processos 3, 5, 10 vezes?
Cadê as novidades? Cadê a história, ó céus?!
Como estudante/designer em estágio larval, eu estou cansada de ver como nossa sociedade tem se tornado cada vez mais visual, apelativa e veloz. Mas um jogo, qualquer jogo, que exija que você o repita pra ver tudo que ele tem a te oferecer não passa de entretenimento fútil e feito nas coxas. E não confundam isso com locais secretos nos jogos, porque esse tipo de coisa é bacana. Me refiro a jogos cuja parte do conteúdo só é oferecido depois de concluído o primeiro gameplay.
Isso torna as coisas cansativas e mecânicas, e a não ser que eu esteja enganada, jogamos pra nos divertir, para nos alienar de uma rotina chata. Não precisamos de outra rotina chata dentro do jogo.
Existem muitas iniciativas em sites de crowdfounding que nos mostram que o jogo de 8 bits faz tanto sucesso quanto o jogo 3D ultrarrealista  tudo que ele precisa é de uma boa ideia bem executada dentro de sua lógica interna. Ante isso, é triste ver grandes estúdios recorrendo a soluções tão baratas quanto a boniteza dos gráficos e a repetição sem fim pra vender algo (e não vou entrar no mérito das DLCs ou da Capcom senão vou me estender demais). Eu lembro de como achei o FFVII horroroso, mas de como joguei até o final para ver o desfecho da trama, e de como ainda hoje acho esse jogo uma das obras-primas das Square (junto com seus antecessores, o FFVI e o FFIV). E no final das contas, é disso que bons jogos são feitos: boas tramas, bons enredos, personagens carismáticos, meio Mary Sue às vezes, e uma pitada de humor.

Não eram os melhores gráficos do mundo… Mas, também, não precisavam ser!

Não eram os melhores gráficos do mundo… Mas, também, não precisavam ser!

Só espero que quando finalmente atingirmos o pico dos gráficos ultrarrealistas as produtoras percebam o tempo perdido em 3D e engines e recuperem os roteiros, porque esse aí, coitados, andam sofrendo muito. Pro nosso azar.

 

E vocês? O que acham do ultrarealismo nos jogos? Acham necessário ou acham que precisam de mais enredo e menos gráficos?
Eu continuo achando que precisamos dos dois, mas a parte enredo E GAMEPLAY de alguns jogos estão realmente um saco. Digo a parte de gameplay porque no começo tudo parece ótimo, mas depois de um tempo o jogo cai na mesmice. Você faz a mesma coisa durante 300 horas de jogo e ainda te obrigam a jogar de novo as 300 horas pra conseguir alguma conquista ou troféu.
E mais uma coisa: eu odeio Final Fantasy VII. Acho o jogo mais overrated do mundo. Ela podia ter dado exemplo de um outro Final Fantasy (o VI ou o IX que são os únicos que prestam), hahahaha. Brincadeira. Achei o texto maravilhoso.

É isso, minha gente. Espero que tenham gostado.

Até!

  1. André Luiz Araujo Costa says:

    infelizmente o que importa hj é a aparência não só fora dos jogos mais sim também adentro deste mundo dos jogos que um dia gozei de varios titulos bons como: chrono trigger, final fantasy 6, zelda e o melhor de todos o insuperavel super metroid!!! hj em dia vejos os “gamers” só discutindo o poderio grafico de seu console enquanto em minha época e olha q não sou um ancião hehe, discutimos a dificuldades dos games e suas histórias acho que o fator gráfico nem tinha tanta importância assim. Os estudios de hj em dia estão virando hollywood dos games! O que importa é a quantidade de produtos a ser vendido não qualidade infelizmente…

    • Link says:

      Infelizmente é isso mesmo que acontece. Algumas produtoras ainda se salvam e fazem um trabalho bom. Quem tá ganhando meu respeito (e acho que deveria ganhar de muitos que se dizem gamers) são os estúdios indie que fazem jogos INCRÍVEIS (gameplay/enredo).
      Experimente “Pesadelo”, um jogo indie brasileiro que tá ganhando o mundo.

      Também sou da época que se discutia dificuldade e não gráficos. PORÉM, acho gráficos importantes. Não deixei isso claro na minha conclusão. Gráficos importam, mas enredo é necessário também.
      Quando digo que gráficos importam, é porque hoje é tudo HD, HD, HD. Eu choro quando vejo um jogo lindo, com cenários realistas (FarCry3), mas isso passa. Eu gosto do choque de geração, do “CARA, eu vi o Sonic crescer de pixel pra polígono”, mas como eu disse, isso passa. Depois de um tempo você se acostuma e começa a querer enredo, aí o jogo fica ruim.

      Os “críticos” de hoje parece que estão jogando meia hora do jogo, avaliando gráfico (que é uma coisa que a gente nota de primeira) e não avalia gameplay/enredo, aí eles dão nota alta pra um jogo bosta.

    • Ami ϟ says:

      Nossa, achei muito interessante essa sua comparação com “hollywood”! Realmente, falam mais de números de vendas do que de boas análises e tal, na hora de divulgar os games! o_o Não tinha parado pra pensar nisso…

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